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A violência contra a mulher também precisa ser discutida no mercado imobiliário

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Colunista Elas Constroem Val Sátiro Oliveira Publicado em 09/10/2026
A violência contra a mulher também precisa ser discutida no mercado imobiliário Val Sátiro Oliveira • Colunista Elas Constroem

Eu decidi falar sobre violência contra a mulher também no mercado imobiliário porque esse tema atravessa a minha própria história.

A violência contra a mulher também precisa ser discutida no mercado imobiliário

Por Val Sátiro Oliveira

Eu decidi falar sobre violência contra a mulher também no mercado imobiliário porque esse tema atravessa a minha própria história.

Eu conheço, na minha trajetória pessoal, o ciclo de violências que muitas mulheres vivem. Sei o que significa estar em uma relação na qual, aos poucos, a autonomia, a autoestima, a segurança e a capacidade de tomar decisões podem ser afetadas.

Também sei o quanto o apoio pode fazer diferença.

Em outros momentos da minha vida, encontrei pessoas, ambientes e setores que me acolheram e me ajudaram a reconstruir caminhos. Foi essa experiência que me fez perceber que *uma rede de apoio pode mudar uma história*.

Hoje, quando olho para o mercado imobiliário, vejo uma oportunidade enorme de levar esse olhar para um setor no qual atuo e que ainda é, em muitos aspectos, bastante masculino e patriarcal.

As mulheres já ocupam diferentes espaços em toda a cadeia imobiliária. Estamos nas vendas, na liderança, na incorporação, na construção, na arquitetura, na engenharia, no jurídico, no marketing, na tecnologia, no crédito, no atendimento e no empreendedorismo. Somos parte essencial desse ecossistema e ajudamos a movimentar negócios, construir cidades e transformar vidas.

Mas estar presente não significa necessariamente estar protegida.

E é sobre isso que quero provocar uma reflexão.

*Será que estamos preparados para reconhecer quando uma mulher da nossa equipe está vivendo uma situação de violência?*

Será que nossos ambientes profissionais são seguros o suficiente para que ela possa pedir ajuda?

Temos canais de acolhimento?

Nossos líderes sabem como agir diante de uma situação de violência ou assédio?

Estamos preparados para acolher uma mulher que precisa reconstruir sua vida?

Essas perguntas importam porque a violência contra a mulher não começa necessariamente com uma agressão física.

Ela pode aparecer como controle, humilhação, ameaça, perseguição, assédio, violência psicológica, desqualificação, dependência financeira ou tentativa de retirar de uma mulher sua autonomia.

E existe uma relação muito importante entre *autonomia econômica e liberdade*.

Ter uma profissão, uma renda, conhecimento, relacionamentos profissionais e possibilidade de construir a própria carreira pode representar, para muitas mulheres, muito mais do que realização profissional.

Pode representar uma possibilidade concreta de escolha.

Por isso, acredito que o mercado imobiliário pode fazer mais.

Não quero falar apenas sobre contratar mais mulheres.

Quero falar sobre *criar condições para que elas permaneçam, cresçam, sejam respeitadas e ocupem posições de liderança*.

Quero falar também sobre mulheres que chegam ao setor depois de uma separação, mulheres que precisam reconstruir a vida, mulheres que passaram por violência doméstica, mulheres maduras que precisam recomeçar profissionalmente e mulheres que encontram no mercado imobiliário uma oportunidade de independência.

Para muitas delas, entrar no mercado de trabalho pode ser o primeiro passo de uma reconstrução.

Eu acredito que a nossa cadeia imobiliária — incorporadoras, construtoras, imobiliárias, empresas de vendas, fornecedores, escolas de formação, entidades e profissionais — pode ser uma grande rede de oportunidades.

Mas precisamos nos perguntar:

*Que ambiente estamos oferecendo para essa mulher?*

Ela será respeitada?

Será ouvida?

Terá oportunidade real de crescimento?

Terá proteção diante de uma situação de assédio?

Poderá denunciar sem medo de perder seu trabalho?

Será reconhecida pela sua competência?

Terá espaço para liderar?

Para mim, essa discussão também é sobre ESG, cultura, governança e responsabilidade social. Mas, antes de tudo, é sobre humanidade.

E não acredito que essa transformação seja responsabilidade apenas das mulheres.

Precisamos trazer os homens para essa conversa.

Homens em posições de liderança têm um papel fundamental na construção de ambientes mais seguros e respeitosos. Precisamos rever comportamentos que durante muito tempo foram naturalizados e entender que combater a violência contra a mulher é uma responsabilidade de toda a sociedade.

Eu trago esse olhar para o mercado imobiliário porque sei, na prática, que uma mulher pode precisar de uma oportunidade profissional para reconstruir sua autonomia.

E sei também que, muitas vezes, *uma pessoa que acredita nela pode fazer uma diferença enorme em sua vida*.

Eu tive apoio em outros momentos e em outros ambientes. Hoje, quero devolver isso ao mundo profissional em que escolhi atuar.

Não quero que minha história seja apenas uma história de superação.

Quero que ela seja transformada em ação.

Quero contribuir para que o mercado imobiliário seja um espaço onde mais mulheres possam entrar, permanecer, prosperar e liderar — e onde uma mulher que esteja vivendo uma situação de violência saiba que pode encontrar não julgamento, mas acolhimento, informação, oportunidade e uma rede de apoio.

Porque quando falamos de violência contra a mulher, não estamos falando de um problema distante.

*Estamos falando de mulheres que trabalham conosco, que vendem conosco, que lideram conosco, que fazem negócios conosco e que fazem parte das nossas vidas.*

Eu acredito que o mercado imobiliário pode  e deve fazer parte dessa transformação.

E talvez o primeiro passo seja simplesmente este:

ter coragem para falar.

 Sobre a autora

*Val Sátiro Oliveira* sou executiva, empresária, palestrante e mentora de mulheres.
Tenho mais de 30 anos de experiência em gestão, liderança e negócios.
Atuo hoje na Superintendência de Vendas da Direcional Engenharia, sou fundadora da Interação Mulher, atuei nos segmentos da saúde suplementar, comunicação, mercado financeiro, startups e na docência de Gestão de Negócios, Liderança e ESG.
Sou especialista em estratégia, desenvolvimento de pessoas, liderança feminina e diversidade.
Minha trajetória pessoal e profissional sustenta meu propósito de ampliar oportunidades e autonomia para mulheres e meninas.

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