MAPA DA REGULARIZAÇÃO IMOBILIÁRIA
Clívia Furtado • Colunista Elas Constroem
ESPECIAL: MAPA DA REGULARIZAÇÃO IMOBILIÁRIA: Usucapião, adjudicação, escritura, averbação: afinal, qual é o caminho? Quando falamos em imóvel irregular, uma das primeiras dúvidas que aparece é: por onde começar?
ESPECIAL: MAPA DA REGULARIZAÇÃO IMOBILIÁRIA
Usucapião, adjudicação, escritura, averbação: afinal, qual é o caminho?
Quando falamos em imóvel irregular, uma das primeiras dúvidas que aparece é: por onde começar?
E essa é justamente uma das maiores dificuldades encontradas por proprietários, investidores, corretores e profissionais do mercado imobiliário.
Nem todo imóvel irregular precisa do mesmo procedimento. Cada situação possui uma origem, uma documentação, uma história e, consequentemente, um caminho jurídico diferente.
É por isso que entender o Mapa da Regularização Imobiliária é tão importante.
Regularizar um imóvel não significa simplesmente reunir documentos e levá-los ao cartório. Antes disso, é necessário identificar qual é o problema, compreender a origem da irregularidade e definir qual instrumento jurídico poderá solucionar aquela situação.
O imóvel pode estar irregular por diferentes motivos
Existem situações em que a pessoa possui a posse do imóvel, mas não possui o registro da propriedade em seu nome.
Em outras, existe um contrato de compra e venda, mas a escritura definitiva nunca foi realizada.
Também existem imóveis cuja construção foi realizada, mas não foi devidamente averbada na matrícula.
Há ainda situações envolvendo inventário, partilha, sucessão, desmembramento, alteração de área, ausência de documentos ou divergências entre a realidade do imóvel e aquilo que consta no registro.
Cada uma dessas situações exige uma análise específica.
Por isso, antes de perguntar qual procedimento utilizar, a pergunta correta é:
Qual é exatamente a irregularidade deste imóvel?
Usucapião não é solução para todos os imóveis
A usucapião é um importante instrumento de regularização imobiliária, mas não deve ser tratada como uma solução automática.
Ela está relacionada à aquisição da propriedade pela posse, desde que estejam presentes os requisitos previstos em lei para a modalidade aplicável.
Isso significa que não basta simplesmente morar em um imóvel há muitos anos.
É necessário analisar a origem da posse, o tempo, suas características, a documentação disponível e os demais requisitos jurídicos envolvidos.
Além disso, dependendo do caso, a regularização poderá ser buscada pela via judicial ou extrajudicial.
E quando existe um contrato de compra e venda?
Aqui surge outra situação bastante comum.
A pessoa comprou o imóvel, pagou o preço, possui um contrato, mas o vendedor não providenciou a transferência definitiva.
Nesse cenário, pode existir a possibilidade de adjudicação compulsória, desde que preenchidos os requisitos legais.
Perceba a diferença.
Na usucapião, estamos diante de uma situação relacionada à posse e à aquisição da propriedade por essa via.
Na adjudicação compulsória, existe uma relação contratual que pode permitir a obtenção da transferência da propriedade quando a parte responsável não cumpre sua obrigação.
São caminhos diferentes para problemas diferentes.
Escritura não é o mesmo que registro
Outro ponto que gera muita confusão no mercado imobiliário é acreditar que fazer a escritura significa concluir a transferência da propriedade.
A escritura pública formaliza o negócio jurídico, mas, em regra, é o registro no Cartório de Registro de Imóveis que produz a transferência da propriedade perante o registro imobiliário.
Por isso, uma operação pode ter contrato, escritura e ainda assim apresentar uma pendência registral.
O imóvel precisa ser analisado como um todo.
E quando o problema está na matrícula?
Também existem casos em que o imóvel possui matrícula, mas a documentação registral não corresponde à realidade.
Pode haver uma construção que não foi averbada.
Uma alteração de área que não foi atualizada.
Uma informação antiga que precisa ser corrigida.
Uma sucessão que não foi formalizada.
Ou ainda uma cadeia dominial que apresenta alguma inconsistência.
Nessas situações, o caminho de regularização será definido a partir da identificação precisa da pendência.
É aqui que entra a análise estratégica.
O primeiro passo é fazer o diagnóstico
Antes de escolher entre usucapião, adjudicação compulsória, escritura, averbação ou outro procedimento, é fundamental compreender a situação documental e registral do imóvel.
É o diagnóstico que permite construir o caminho.
E essa análise pode mudar completamente a percepção sobre determinado patrimônio.
Um imóvel que parece estar parado pode possuir uma solução jurídica.
Um imóvel que parece impossível de vender pode precisar apenas de uma etapa de regularização.
E um imóvel que aparenta estar regular pode esconder riscos que precisam ser identificados antes de uma negociação.
Regularização também é estratégia de negócio
Quando o mercado imobiliário olha para a regularização apenas como burocracia, perde uma oportunidade importante.
A regularização pode aumentar a segurança jurídica da operação, ampliar a possibilidade de comercialização e permitir que um patrimônio seja utilizado de maneira mais eficiente.
Por isso, o corretor que entende o problema jurídico consegue enxergar além da comissão.
Ele passa a perceber oportunidades que muitas vezes permanecem invisíveis para quem olha apenas para o anúncio, o preço e a negociação.
É essa mudança de visão que está no centro do Mapa da Regularização Imobiliária.
O mapa começa pelo diagnóstico
Não existe um único caminho para todos os imóveis.
Existe o caminho adequado para cada situação.
E esse caminho começa pela identificação correta da irregularidade.
Antes de escolher o procedimento, é preciso conhecer a história do imóvel, analisar sua documentação, verificar a matrícula e compreender o que precisa ser corrigido.
Somente depois disso é possível estruturar uma estratégia de regularização.
Porque imóvel irregular não é necessariamente imóvel perdido.
Muitas vezes, é patrimônio que ainda não teve sua documentação organizada para revelar todo o seu potencial.
Próximo artigo
No próximo conteúdo desta série, vamos avançar no Mapa da Regularização Imobiliária e falar sobre um dos pontos que mais impactam o valor e a segurança de um imóvel: a documentação e os riscos que podem estar escondidos antes de uma negociação.
Sobre a autora
Clívia Furtado é advogada e estrategista de negócios imobiliários, com mais de 30 anos de trajetória dedicada ao Direito Imobiliário.
Atua na estruturação e análise estratégica de negócios e patrimônios, integrando conhecimento jurídico, visão de mercado e planejamento.
Seu trabalho parte de uma premissa: segurança jurídica não deve ser vista apenas como proteção, mas como ferramenta estratégica para transformar patrimônio em oportunidade, gerar previsibilidade e viabilizar negócios imobiliários.
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