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O QUE NINGUÉM VÊ QUANDO UMA MULHER DECIDE EMPREENDER

Foto de Ellis Nóbrega
Colunista Elas Constroem Ellis Nóbrega Publicado em 29/09/2026
O QUE NINGUÉM VÊ QUANDO UMA MULHER DECIDE EMPREENDER Ellis Nóbrega • Colunista Elas Constroem

Existe uma parte do empreendedorismo que quase ninguém vê. As pessoas enxergam a empresa, o nome na fachada, os resultados, as conquistas, as fotografias, as reuniões e os eventos.

O QUE NINGUÉM VÊ QUANDO UMA MULHER DECIDE EMPREENDER

Por Ellis Nóbrega

Existe uma parte do empreendedorismo que quase ninguém vê. As pessoas enxergam a empresa, o nome na fachada, os resultados, as conquistas, as fotografias, as reuniões e os eventos. Mas existe uma outra história acontecendo nos bastidores. Uma história feita de dúvidas, decisões, renúncias, responsabilidade e, muitas vezes, de dias em que continuar parece muito mais difícil do que começar.

Eu sei disso porque também vivi, e continuo vivendo, essa realidade. No meu primeiro artigo, escrevi que não cheguei até aqui porque sabia tudo, mas porque aprendi a decidir. Porém, existe algo que vem depois da decisão: sustentar aquilo que você decidiu construir.

Empreender começa muito antes de abrir uma empresa. Para mim, empreender nunca foi apenas abrir um CNPJ ou colocar uma placa na porta. Foi assumir responsabilidades: pelas escolhas, pelas pessoas que caminham comigo, pelos clientes que confiam no meu trabalho, pelos parceiros, pelos resultados e também pelos erros. Porque quando uma mulher decide empreender, ela não ganha automaticamente todas as respostas; ela ganha perguntas novas todos os dias.

Como crescer? Como contratar? Como delegar? Como vender mais? Como cuidar das pessoas? Como cuidar do caixa? Como tomar uma decisão quando existem vários caminhos possíveis? E talvez essa seja uma das partes menos romantizadas do empreendedorismo: você precisa continuar decidindo mesmo quando ninguém consegue garantir que a sua escolha vai dar certo.

Existe um lado do empreendedorismo que não aparece no Instagram. Não aparece o dia em que você olha para os números e precisa encontrar uma solução. Não aparece a conversa difícil com alguém da equipe. Não aparece quando um planejamento precisa ser completamente revisto, ou o cliente que não fecha, a oportunidade que não acontece, o investimento que precisa ser repensado, e a estratégia que parecia perfeita e não funcionou como esperado. Não aparece a mulher que chega em casa cansada, mas continua pensando no dia seguinte.

E não estou dizendo isso para romantizar a dificuldade, muito pelo contrário. Empreender exige coragem, mas também exige estrutura. Sonhar é importante, mas sonho sem gestão pode se transformar em frustração.

Eu aprendi que não preciso carregar tudo sozinha. Essa foi uma das aprendizagens mais importantes da minha trajetória. Durante muito tempo, talvez como muitas mulheres, eu associei força à capacidade de resolver tudo. Se precisava fazer, eu fazia. Se precisava decidir, eu decidia. Se precisava resolver, eu resolvia. Até perceber que uma empresa não cresce quando tudo depende de uma única pessoa. Ela cresce quando conhecimento é compartilhado, quando processos são criados, quando pessoas são desenvolvidas, quando responsabilidades são distribuídas e quando existe confiança.

Hoje, uma das coisas que mais me interessam na construção da minha empresa é justamente transformar aquilo que um dia estava apenas na minha cabeça em processos que podem ser ensinados, executados e aprimorados por outras pessoas. Porque liderar não é criar dependência, é criar capacidade.

Algumas escolhas custam caro. Empreender também me ensinou que nem toda decisão será confortável. Existem momentos em que você precisa escolher entre o que é urgente e o que é importante, entre crescer rápido e construir uma base sólida, entre manter uma forma conhecida de fazer as coisas e mudar para algo que pode funcionar melhor, entre agradar alguém e preservar aquilo em que você acredita. E existem decisões que ninguém vai entender completamente porque ninguém viveu o caminho que levou você até elas. Aprendi a conviver com isso. Não significa deixar de ouvir; muito pelo contrário, eu escuto, analiso e aprendo. Mas entendi que, no final, a responsabilidade pela empresa e pela minha trajetória também é minha.

A mulher empreendedora também precisa se permitir aprender. Uma das maiores armadilhas que uma mulher pode criar para si mesma é acreditar que, depois de algum tempo de experiência, precisa saber tudo. Eu não acredito nisso. Quanto mais tempo passo empreendendo, mais percebo o quanto ainda tenho para aprender sobre pessoas, gestão, tecnologia, dinheiro, comportamento, liderança e sobre mim mesma. E talvez seja justamente isso que mantém uma empreendedora viva: a disposição para continuar aprendendo. Experiência não significa saber tudo. Experiência significa saber observar melhor, fazer perguntas melhores e reconhecer mais rapidamente aquilo que precisa ser corrigido.

E existe uma coisa que ninguém pode decidir por você: o tamanho da sua história. Você pode ouvir opiniões, buscar mentoria, estudar, conversar com pessoas mais experientes e construir uma rede. Tudo isso é importante. Mas chega um momento em que você precisa olhar para a própria vida e perguntar: o que eu quero construir? Não o que esperam de mim, não o que parece bonito para os outros, não o que todo mundo está fazendo. O que faz sentido para mim?

Essa pergunta mudou muitas coisas na minha trajetória. Porque empreender não é apenas construir uma empresa, é construir uma vida que seja coerente com aquilo que você acredita.

Hoje, quando olho para trás, não vejo uma trajetória perfeita. Vejo uma trajetória construída, com acertos, com erros, com mudanças, com pessoas que chegaram e pessoas que seguiram outros caminhos, com projetos que deram certo e outros que precisaram ser abandonados, com momentos de segurança e momentos de dúvida. Mas, acima de tudo, vejo uma mulher que continuou aprendendo. E talvez essa seja uma das maiores forças que uma empreendedora pode desenvolver: não precisar ser a mesma mulher que começou. Você pode crescer, mudar, recomeçar, delegar, aprender, mudar de estratégia, mudar de opinião, e continuar sendo fiel à essência que fez você começar.

Porque empreender não é sobre ter certeza. É sobre construir mesmo quando ainda existem perguntas. É sobre transformar experiência em aprendizado, aprendizado em decisão, decisão em ação, e ação em resultado. Ainda tenho muitas decisões pela frente, e talvez seja exatamente isso que eu mais gosto nessa jornada: ela ainda está sendo construída.

Ellis Nóbrega Empresária • Líder • Mentora • Palestrante CEO da 2R Realização e Resultado @ellis.nobregaa @2R.imobiliaria

Decisões que constroem negócios. Experiências que transformam pessoas.

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