Outubro Rosa: o cuidado que vai além do laço
Sophia Martins • Colunista Elas Constroem
Todo ano, quando outubro chega, eu vejo o rosa aparecer em tudo: nas vitrines, nos perfis, nas fachadas dos prédios. Acho lindo, porque lembrar salva vidas. Mas, conversando com tantas mulheres aqui no Elas Constroem, fui percebendo que a gente fala muito do exame e pouco do que vem junto com ele. O medo, a cabeça que não desliga, a conta que continua chegando no fim do mês.
ELAS CONSTROEM | OUTUBRO ROSA 2026
Outubro Rosa: o cuidado que vai além do laço
Por Sophia Martins, fundadora do Elas Constroem
Todo ano, quando outubro chega, eu vejo o rosa aparecer em tudo: nas vitrines, nos perfis, nas fachadas dos prédios. Acho lindo, porque lembrar salva vidas. Mas, conversando com tantas mulheres aqui no Elas Constroem, fui percebendo que a gente fala muito do exame e pouco do que vem junto com ele. O medo, a cabeça que não desliga, a conta que continua chegando no fim do mês.
Então, este ano, eu quis escrever sobre o Outubro Rosa inteiro.
Vamos começar pelos números, porque eles importam. O INCA estima 78.610 novos casos de câncer de mama por ano no Brasil entre 2026 e 2028. É o câncer mais comum entre nós, mulheres: cerca de 30% de todos os diagnósticos. No Sudeste, o risco é o maior do país, com 88 casos a cada 100 mil mulheres. Só em 2024, perdemos 20.849 mulheres para a doença.
E tem o outro lado, que eu faço questão de repetir. Quando o câncer é descoberto no começo, a chance de cura pode chegar a 95%. Hoje, nove em cada dez diagnósticos já acontecem nessa fase inicial. Prevenção funciona.
O exame mudou, e pouca gente sabe
Desde setembro de 2025, o SUS garante mamografia para mulheres de 40 a 49 anos, mesmo sem sintoma nenhum. Basta conversar com o profissional de saúde. Dos 50 aos 74 anos, o exame é feito a cada dois anos. Faz todo sentido: quase um quarto dos casos (23%) acontece justamente entre os 40 e os 49.
Se você tem menos de 40, isso não quer dizer que pode esquecer o assunto. Nódulo novo, pele repuxando, secreção com sangue no mamilo, qualquer coisa diferente que não passa: procure um médico. E o dia a dia conta. Sedentarismo, excesso de peso e álcool estão entre os fatores de risco que a gente consegue mudar.
A cabeça também adoece
Receber um diagnóstico desses mexe com tudo. Estudos mostram que, no primeiro ano da doença, depressão e ansiedade aparecem duas vezes mais do que na média das mulheres. E isso chega ao corpo: uma revisão de 17 estudos publicada na revista Molecular Psychiatry encontrou 24% mais risco de o câncer voltar entre as mulheres com depressão.
Por isso eu insisto: terapia faz parte do tratamento. Pedir ajuda para cuidar da mente é tão sério quanto ir à quimioterapia.
Ninguém deveria passar por isso sozinha
Uma pesquisa da Merck com mulheres de 23 países perguntou se elas se sentiam apoiadas depois do diagnóstico para dar conta da casa, dos filhos e do trabalho. No Brasil, só 13% disseram que sim. Treze por cento.
Esse número me incomoda muito, porque apoio nem sempre é coisa grande. É levar a amiga na consulta. É mandar uma mensagem sem esperar resposta. É ter um grupo onde ela pode chorar ou rir sem precisar explicar nada. Comunidade é isso.
E o dinheiro? Quem fala dele?
Quase ninguém, e deveria. Segundo o Datafolha, 41% das mulheres que trabalhavam não conseguiram continuar trabalhando depois do diagnóstico. As mais atingidas foram as de carteira assinada e as freelancers. Um estudo brasileiro acompanhou pacientes por dois anos e, no fim desse período, quase 40% ainda não tinham voltado ao trabalho.
Agora pense que 11,3 milhões de lares no Brasil são chefiados por mulheres. Quando a renda de uma delas para, a casa inteira sente.
Eu convivo todos os dias com corretoras, empreendedoras e autônomas. Muitas de nós não têm uma empresa por trás para segurar a barra. Por isso eu digo sem medo: organizar a vida financeira é autocuidado. Ter uma reserva que cubra alguns meses de despesas, olhar com calma para um seguro de vida com cobertura para doenças graves, manter o INSS em dia mesmo sendo autônoma.
E conhecer os seus direitos. Quem trabalha com carteira assinada, por exemplo, pode faltar até três dias por ano para fazer exames preventivos de câncer sem desconto no salário. Pouca gente sabe disso.
Meu convite para este outubro
É simples. Marque sua mamografia. Fale com alguém sobre o que você está sentindo. Chame aquela amiga que anda sumida. E abra a planilha que você vem adiando há meses.
A gente constrói muita coisa todos os dias: para a família, para os clientes, para os nossos negócios. Para continuar construindo, a gente precisa estar inteira.
Nos vemos na próxima edição do Elas Constroem Saúde.
Com carinho,
Sophia Martins
Fundadora do Elas Constroem
Fontes
INCA, Estimativa 2026–2028: Incidência de Câncer no Brasil; Atlas de Mortalidade por Câncer (SIM, 2024).
Ministério da Saúde, novas diretrizes de rastreamento do câncer de mama (setembro de 2025).
Datafolha, a pedido da AstraZeneca, sobre trabalho após o diagnóstico de câncer de mama.
Landeiro et al., estudo sobre retorno ao trabalho após câncer de mama no Brasil, revista Cancer (2018).
Merck e UICC, pesquisa global Supporting Women With Cancer.
Meta-análise sobre depressão, ansiedade e recorrência do câncer de mama, Molecular Psychiatry (2020).
Lilly Brasil, dados sobre diagnóstico precoce e lares chefiados por mulheres (março de
Compartilhar artigo
Faça parte do movimento
Conecte-se com mulheres do mercado imobiliário e gere novas oportunidades com uma rede que fortalece presença, visão e estrutura.
Entrar no movimento →