Elas Constroem
Elas Constroem
Início Membros Instituto Conselho Executivo Delegações Revista Blog Podcast Links Entrar Entrar no Movimento

Patagônia além do turismo: quando um destino começa a ser visto como lugar para viver

Foto de Juliana Vanderlinde
Colunista Elas Constroem Juliana Vanderlinde Publicado em 14/09/2026
Patagônia além do turismo: quando um destino começa a ser visto como lugar para viver Juliana Vanderlinde • Colunista Elas Constroem

Um novo olhar sobre uma região que muitos brasileiros conhecem como destino de viagem, mas que pode representar muito mais.

Patagônia além do turismo: quando um destino começa a ser visto como lugar para viver

Um novo olhar sobre uma região que muitos brasileiros conhecem como destino de viagem, mas que pode representar muito mais.

Por Juliana Vanderlinde

 

Durante muito tempo, quando um brasileiro falava em Patagônia, provavelmente estava pensando em uma viagem.

Bariloche no inverno. Neve. Esqui. Chocolates. Lagos. Montanhas. Fotografias bonitas.

E não há nada de errado nisso. Bariloche é, de fato, um dos destinos mais conhecidos pelos brasileiros na Argentina.

Mas depois de alguns anos vivendo na Argentina e de ter passado por diferentes lugares antes de me estabelecer na região, comecei a perceber que existe uma outra Patagônia que ainda é pouco conhecida por nós brasileiros.

É a Patagônia de quem acorda para levar os filhos à escola, vai ao supermercado, procura uma casa para morar, abre um negócio, acompanha uma obra, compra um terreno, escolhe onde quer passar parte do ano ou simplesmente começa a pensar que talvez seja possível construir uma vida diferente em outro lugar.

E é justamente essa mudança de olhar que considero interessante.

Quando a viagem termina, começa outra descoberta

Existe uma diferença enorme entre conhecer um lugar e conhecer um lugar para viver.

Como turista, você observa a paisagem.

Como morador, começa a perceber o custo das coisas, a infraestrutura, os serviços, as escolas, os bairros, as distâncias, o clima, a rotina e, principalmente, se aquele lugar realmente combina com a vida que você quer levar.

Foi vivendo essa realidade que comecei a enxergar a Patagônia de uma maneira muito diferente.

E também comecei a entender por que alguns brasileiros que chegam inicialmente pensando apenas em uma viagem acabam fazendo perguntas completamente diferentes.

“Como seria morar aqui?”

“Quanto custa uma casa?”

“E se eu tivesse uma segunda residência?”

“Como funciona comprar um imóvel na Argentina?”

“Será que faz sentido ter parte do meu patrimônio aqui?”

São perguntas que não têm uma resposta única.

E esse é um ponto importante: a Patagônia não deve ser apresentada como uma oportunidade mágica ou como uma solução para todo mundo.

É preciso conhecer o território, entender o mercado, fazer contas, compreender as regras e, principalmente, saber o que você está procurando.

Qualidade de vida também é uma decisão patrimonial

Quando falamos em patrimônio, é muito comum pensarmos apenas em números.

Valor do imóvel. Rentabilidade. Valorização. Câmbio. Investimento.

Tudo isso importa.

Mas existe uma dimensão do patrimônio que muitas vezes fica esquecida: o patrimônio também pode estar relacionado à forma como queremos viver.

Uma segunda residência, por exemplo, pode ser simplesmente um investimento.

Mas também pode representar um lugar para passar férias mais longas, acompanhar o crescimento dos filhos, trabalhar durante alguns períodos do ano ou ter uma base fora do Brasil.

Pode ser uma escolha financeira, mas também pode ser uma escolha de vida.

E talvez seja justamente essa combinação que torne a Patagônia tão interessante para alguns brasileiros.

Aqui, natureza e vida cotidiana estão muito próximas. Montanhas, lagos e áreas de preservação fazem parte da paisagem, mas não estão separados da cidade por uma barreira turística.

Ao mesmo tempo, existe um mercado imobiliário que merece ser conhecido com mais atenção, principalmente por quem começa a olhar para a região não apenas como destino de viagem.

Bariloche é uma porta de entrada, não o limite

Bariloche talvez seja o nome mais conhecido pelos brasileiros quando falamos em Patagônia Argentina.

E por isso mesmo é uma excelente porta de entrada para começar essa conversa.

Mas a Patagônia é muito maior do que Bariloche.

Existem diferentes cidades, regiões e perfis de mercado. Lugares mais urbanos, lugares mais tranquilos, regiões com características completamente diferentes e oportunidades que fazem sentido para pessoas com objetivos muito diferentes.

É por isso que, quando alguém me pergunta sobre a Patagônia, minha primeira preocupação não é mostrar um imóvel.

É entender a pessoa.

Ela quer morar?

Quer uma segunda residência?

Está pensando em diversificação patrimonial?

Quer empreender?

Quer passar alguns meses por ano na região?

Está procurando qualidade de vida para a família?

A resposta muda completamente o tipo de oportunidade que pode fazer sentido.

O brasileiro precisa de mais do que uma tradução

Existe ainda uma questão que considero fundamental quando falamos de brasileiros olhando para outros países.

Falar português ajuda.

Mas não é suficiente.

Quem toma uma decisão patrimonial fora do seu país precisa de alguém que consiga traduzir muito mais do que uma língua.

É preciso traduzir cultura, comportamento, mercado, burocracia, expectativas e, muitas vezes, até a maneira como as negociações acontecem.

Foi justamente nesse espaço que encontrei meu trabalho.

Foi a partir dessa vivência, olhando a região não apenas de fora, mas também a partir da rotina e das escolhas de quem vive aqui, que passei a enxergar uma necessidade cada vez mais clara: existe um número crescente de brasileiros interessados em conhecer melhor essa região, mas ainda existe uma distância grande entre admirar a Patagônia como turista e compreender a Patagônia como possibilidade de vida, patrimônio e negócios.

E é essa ponte que me interessa construir.

Talvez a pergunta não seja “por que a Patagônia?”

Talvez seja:

“Que possibilidades eu ainda não considerei para a minha vida e para o meu patrimônio?”

Essa é, para mim, a parte mais interessante dessa conversa.

Não acredito que todo brasileiro queira morar na Patagônia.

Nem deveria.

Também não acredito que todo imóvel seja um bom investimento ou que comprar fora do Brasil seja necessariamente melhor do que investir no próprio país.

O que acredito é que conhecer outras possibilidades amplia a capacidade de escolha.

E, quando começamos a olhar para um território para além do turismo, novas perguntas aparecem.

A Patagônia pode ser uma viagem.

Pode ser uma segunda casa.

Pode ser um novo endereço.

Pode ser um negócio.

Pode ser uma parte do patrimônio.

Ou pode simplesmente ser o lugar onde alguém descobre que existe uma outra maneira de viver.

Talvez essa seja a maior oportunidade de todas: não necessariamente encontrar uma resposta, mas descobrir que existem mais possibilidades do que imaginávamos.

 

Sobre a colunista

Juliana Vanderlinde é brasileira, publicitária e vive na Patagônia Argentina. Fundadora da Cordilheira Meridiana e assessora estratégica de patrimônio e investimentos na Patagônia, atua na conexão entre brasileiros e oportunidades de vida, patrimônio e negócios na região. É Google Local Guide nível 10 e Embaixadora Internacional — Argentina, Bariloche, do Elas Constroem.

Compartilhar artigo

Faça parte do movimento

Conecte-se com mulheres do mercado imobiliário e gere novas oportunidades com uma rede que fortalece presença, visão e estrutura.

Entrar no movimento →