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Todo imóvel irregular pode ser regularizado?

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Colunista Elas Constroem Clívia Furtado Publicado em 01/10/2026
Todo imóvel irregular pode ser regularizado? Clívia Furtado • Colunista Elas Constroem

Todo imóvel irregular pode ser regularizado?

SÉRIE ESPECIAL | MAPA DA REGULARIZAÇÃO IMOBILIÁRIA

 

Todo imóvel irregular pode ser regularizado?

A resposta começa pelo diagnóstico — e não pelo procedimento.

Depois de entender que um imóvel pode apresentar diferentes tipos de irregularidade, surge uma pergunta muito comum:

Mas todo imóvel irregular pode ser regularizado?

É uma pergunta legítima.

E talvez a resposta mais responsável seja: depende.

Não porque a regularização seja impossível, mas porque cada imóvel possui uma história, uma documentação, uma realidade física e uma situação jurídica própria.

Por isso, não existe uma resposta pronta que possa ser aplicada a todos os casos.

Antes de dizer sim ou não, é preciso investigar

Quando alguém apresenta um imóvel com uma pendência, é natural procurar imediatamente uma solução.

Será que é usucapião?

Será que precisa de inventário?

Será que basta fazer uma escritura?

Será que é possível averbar?

Mas existe uma pergunta anterior a todas essas:

O que realmente aconteceu com esse imóvel?

Quem consta como proprietário?

Como o atual ocupante ou proprietário chegou até ele?

Existem documentos?

O que consta na matrícula?

A situação física corresponde ao registro?

Existem construções?

Há divergência de área?

Existe alguma sucessão pendente?

Como essa posse começou?

Há quanto tempo ela existe?

Existem terceiros envolvidos?

Essas respostas podem mudar completamente a estratégia.

Regularização não é uma receita pronta

Um dos maiores equívocos quando se fala em regularização imobiliária é imaginar que existe um único caminho.

Não existe.

A solução depende da natureza da irregularidade.

Em alguns casos, o problema pode estar relacionado à documentação.

Em outros, à ausência de registro.

Pode haver uma construção que precisa ser regularizada.

Pode existir uma sucessão que nunca foi formalizada.

Pode haver uma situação possessória que exige uma análise específica.

E podem existir casos em que diferentes providências precisam ser combinadas.

Por isso, não é o procedimento que define o diagnóstico. É o diagnóstico que orienta a escolha do procedimento.

Essa inversão de lógica é fundamental.

O caminho juridicamente possível precisa fazer sentido para aquele patrimônio

Mesmo quando existe uma possibilidade jurídica de regularização, isso não significa que qualquer caminho seja adequado.

É preciso considerar também o objetivo do proprietário ou investidor.

Ele pretende vender?

Transmitir aos filhos?

Organizar uma sucessão?

Obter financiamento, quando cabível?

Investir?

Construir?

Utilizar o imóvel?

Preservar o patrimônio?

Cada objetivo pode exigir uma análise diferente.

É por isso que gosto de falar em estratégia imobiliária, e não apenas em regularização.

Porque regularizar é uma etapa.

Estruturar o patrimônio é algo maior.

E quando a irregularidade não pode ser simplesmente ignorada?

Outro ponto importante é que algumas pendências podem parecer pequenas à primeira vista, mas produzir consequências relevantes para uma operação.

Uma divergência de área, por exemplo, pode exigir investigação.

Uma construção não averbada pode precisar de providências próprias.

Uma sucessão não realizada pode afetar a transmissão do patrimônio.

Uma situação possessória pode exigir uma análise cuidadosa da origem e do tempo da posse.

Isso significa que o problema precisa ser dimensionado.

Não basta saber que existe uma irregularidade.

É necessário compreender: qual é a irregularidade, qual é o impacto e quais são as possibilidades de solução.

Existe também o custo da decisão errada

Quando falamos em regularização, normalmente pensamos no custo para resolver.

Mas existe outro custo que merece atenção: o custo de tomar uma decisão sem conhecer o problema.

Comprar um imóvel sem compreender suas pendências.

Anunciar uma propriedade sem esclarecer sua situação documental.

Prometer ao comprador que depois é só regularizar.

Investir em uma solução antes de verificar sua viabilidade.

Tudo isso pode gerar consequências que ultrapassam o aspecto jurídico.

Podem afetar tempo, dinheiro, negociação e até a confiança entre as partes.

Por isso, uma análise preventiva pode ser muito mais valiosa do que tentar corrigir um problema depois que a operação já avançou.

Regularização exige realidade, não expectativa

É importante também separar duas coisas: possibilidade e garantia.

Uma análise pode indicar que existe um caminho juridicamente possível.

Isso não significa que o resultado esteja garantido.

Podem existir documentos a serem obtidos, exigências a serem cumpridas, manifestações de terceiros, questões administrativas ou judiciais e outros fatores que precisam ser considerados.

Por isso, uma atuação responsável não começa prometendo: Vamos conseguir regularizar.

Começa dizendo: Vamos analisar se existe um caminho juridicamente viável e qual é a melhor forma de estruturá-lo.

Essa diferença protege o patrimônio, a negociação e as expectativas das pessoas envolvidas.

O papel do diagnóstico estratégico

É justamente aqui que entra uma visão mais ampla do Direito Imobiliário.

O diagnóstico não deve olhar somente para o problema jurídico.

Precisa considerar também o patrimônio e o negócio.

Qual é o valor daquele imóvel dentro do patrimônio?

Qual é o objetivo do proprietário?

Existe interesse em vender?

Existe potencial de investimento?

Qual é o custo estimado para solucionar a pendência?

Quanto tempo pode ser necessário?

A regularização faz sentido economicamente?

Essas perguntas ajudam a construir uma visão mais completa.

Porque a melhor solução jurídica precisa conversar com a realidade patrimonial.

E quando não existe um caminho viável?

Essa também é uma possibilidade que precisa ser considerada.

Nem todo problema terá uma solução simples.

Em determinadas situações, a análise pode revelar obstáculos relevantes ou até a inviabilidade de determinada estratégia.

E isso também é resultado de um bom diagnóstico.

Porque uma análise jurídica não serve apenas para encontrar caminhos.

Serve também para evitar decisões equivocadas.

Saber que determinado negócio não deve avançar pode ser tão importante quanto identificar uma oportunidade.

É por isso que segurança jurídica não significa dizer sim para tudo.

Significa tomar decisões com informação suficiente para compreender os riscos envolvidos.

O imóvel irregular não precisa ser visto apenas pelo problema

Quando olhamos para um imóvel irregular de maneira estratégica, conseguimos enxergar três possibilidades:

Pode existir um caminho de regularização.

Pode existir um caminho, mas com condições, custos ou riscos que precisam ser avaliados.

Ou pode não existir, naquele momento, uma solução juridicamente ou economicamente adequada.

As três possibilidades são importantes.

Porque todas elas nascem do mesmo ponto: um diagnóstico bem feito.

Antes de escolher o caminho, conheça o patrimônio

Talvez essa seja a principal mensagem desta terceira etapa da nossa série.

Não existe regularização séria baseada apenas em uma informação superficial.

Não existe estratégia baseada apenas em expectativa.

E não existe segurança quando a decisão é tomada antes de conhecer a realidade do imóvel.

Primeiro, diagnóstico.

Depois, estratégia.

Só então, o caminho.

É essa lógica que permite transformar uma questão imobiliária em uma decisão mais consciente e estruturada.

E, no próximo artigo, vamos avançar justamente para essa etapa:

Usucapião, adjudicação, escritura, averbação: afinal, qual é o caminho?

Porque conhecer os nomes dos procedimentos é importante.

Mas saber quando cada caminho pode fazer sentido é ainda mais importante.

SOBRE A AUTORA

Clívia Furtado é advogada e estrategista de negócios imobiliários, com mais de 30 anos de trajetória dedicada ao Direito Imobiliário. Atua na estruturação e análise estratégica de negócios e patrimônios, integrando conhecimento jurídico, visão de mercado e planejamento para contribuir para operações mais seguras, estratégicas e capazes de gerar valor.

Sua atuação parte de uma visão preventiva e multidisciplinar do mercado imobiliário, aproximando segurança jurídica, patrimônio e estratégia de negócios.

Clívia Furtado | Advogada e Estrategista de Negócios Imobiliários

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